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Fernando Costa 02 Mai 2021

Cerca de três quartos das mulheres jornalistas já sofreram violência online

Um relatório da UNESCO revelado na sexta-feira revela que 73% das mulheres jornalistas já foram vítimas de violência online que incluem ameaças de violência física, sexual e aos seus próximos.

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O relatório “The Chilling: Global trends in online violence against women journalists”, divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), demonstra que cerca de três quartos das jornalistas já sofreram casos de violência online.

O relatório contou com testemunhos de 900 jornalistas de 120 países, 173 entrevistas, a análise das ameaças feitas a duas jornalistas e análise de 2,5 milhões de publicações nas redes sociais contra estas.

Quanto ao impacto dos episódios de violência online, o estudo refere que 38% das jornalistas reduziram a sua presença online, 11% afastaram-se do trabalho para recuperar das ameaças e 2% abandonaram a profissão. O estudo indica ainda que muitas das ofensas são organizadas por “atores políticos”.

A jornalistas entrevistadas referiram ainda que em 20% dos casos, os ataques vão além das plataformas virtuais, havendo relatos de violência física.

Os temas que levam a maiores ataques às jornalistas são a igualdade do género, política e direitos humanos. Caso a mulher jornalista seja negra, indígena, judia, árabe ou lésbica, há um aumento da frequência dos ataques online.

Em declarações à Lusa, Guilherme Godoi, chefe da área da liberdade de expressão e segurança dos jornalistas na UNESCO, afirma que muitas das mulheres referem problemas de saúde mental ou autocensura como consequências dos ataques.

“Esta violência impede as mulheres de exercerem a sua liberdade de expressão” acrescenta Godoi, que afirma ainda que a resposta deve ser coordenada entre várias entidades: “A construção de políticas públicas nesse caso é uma construção que tem de considerar a complexidade do problema por parte de todos os parceiros. Parte da solução tem a ver com o envolvimento dos poderes judiciais e dos Ministérios Públicos. Há países onde há uma perseguição por parte de políticos locais ou nacionais, mas que o poder judicial tem independência para agir”.

O relatório foi divulgado pela UNESCO esta sexta-feira, de forma a assinalar o Dia da Liberdade de Imprensa que se celebra esta segunda-feira, dia 3 de Maio.

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