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Pedro Xavier 17 Nov 2020

5G: Grupo Vodafone admite rever investimentos no mercado português

O presidente executivo do grupo Vodafone afirmou que, se os governos pretendem uma "comunidade de investidores saudável", então tem de haver "equilíbrio" e admitiu que vai rever os investimentos no mercado português, no âmbito do leilão 5G.

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Na conferência com analistas sobre os resultados do primeiro semestre do grupo Vodafone, após ter sido questionado pelo Citigroup sobre o leilão em Portugal, Nick Read disse que pôs “em pausa” o projeto de um centro de excelência para Portugal, e teceu críticas às regras do leilão de quinta geração (5G).

“Os governos precisam de perceber que, se desejam uma comunidade de investidores saudável”, então tem de haver “um equilíbrio”, afirmou o presidente executivo do grupo Vodafone.

“Vamos continuar a litigar” contra aquilo que a Vodafone considera ser auxílios estatais, no âmbito do leilão do 5G. E enquanto fazemos isso, teremos de considerar o investimento que estamos a fazer” no mercado português, acrescentou.

Segundo o gestor, “Portugal é um bom exemplo onde a estrutura do leilão de espectro não estava a permitir uma estrutura de indústria saudável”, sem qualquer “teste de mercado, sem evidência de qualquer falha de mercado”, salientando que “estavam a ser dadas condições vantajosas aos novos entrantes, tanto em termos de baixo preço do espectro, como da não obrigação real de desenvolvimento” da rede, podendo aceder ao ‘roaming’ nacional.

“Dissemos: onde está o incentivo para aqueles que estão realmente a investir nos mercados? E tínhamos planeado colocar um centro de excelência com 400 FTE [postos de trabalho] em Portugal e colocámos em pausa”, continuou.

“Não vamos apoiar governantes que trabalhem dessa forma contra operadores existentes, especialmente quando estávamos lá para a crise” resultante da pandemia de covid-19, garantiu Nick Read.

Entretanto, “o regulador e o Governo mudaram as condições, melhoraram as condições”, porque agora “o novo entrante vai pagar o preço e terá de implementar rede”, disse.

“Mas na minha opinião, na opinião da minha equipa, [as regras do leilão] não foram longe o suficiente. Continuamos a acreditar que se trata de um auxílio estatal e continuamos a acreditar que viola a legislação europeia das telecomunicações”, por isso a Vodafone vai continuar a litigar.

Defendendo a necessidade de ser criada uma “estrutura de mercado saudável”, Read explicou que ser saudável significa que os acionistas precisam de obter o retorno adequado”.

Por isso, o grupo Vodafone irá aplicar capital onde vir os governos “a apoiar esse princípio”, o que pode ser interpretada como uma mensagem para o executivo português.

Nick Read disse que o grupo tem estado “ativamente envolvido com a Comissão Europeia” sobre o setor, recordando que teve encontros recentes com os comissários europeus Breton e Vestager.

“Teremos uma nova reunião do setor dentro de algumas semanas sobre o que torna uma estrutura da indústria saudável e o que precisamos que seja facilitado […], eles [Bruxelas] estão a ouvir porque entendem a importância crítica da conectividade se quiserem uma sociedade digital”, referiu.

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